Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
VII - Planos 1.b

 

 

À chegada a Lima as coisas não melhoraram. Horas perdidas a tentar saber notícias dos cães, que não viam estavam a fazer 40 horas. Tinham sido levados junto com a carga para o armazem da Alfandega.
O Veterenario tinha tido medo de os observar e só por isso os chamaram e confirmaram que os bichos estavam bem. Eram bichos muto grandes e uma verdadeira excepção aparecerem no País.
A carga tinha de ser toda inspeccionada, nem lhe deram crédito às folhas passadas a computador descriminando tudo o que havia em cada caixa. Cada caixa estava numerada e cada folha descriminava o que se encontrava em cada uma.
Teriam de aguardar a sua vez! O armazén enorme, estava apinhado de caixas. Tudo o que entrava no País teria de ser inspeccionado!
Passaram mais dois dias. Na companhia de aviação já a conheciam. Sim, não haveria problema de adiarem, mais uma vez, o voo. A ligação para Pucallpa era feita com aviões mais pequenos, só eles tinham muita carga e animais vivos, a companhia teria de ser avisada do transporte.
*
Desesperada pela espera, pela burocracia, pelos cães fechados num canil, dentro do proprio armazem, telefonou à Directora do Ministerio de Agricultura. Duas horas depois a sua carga estava a ser inspeccionada!
Abriram todas as caixas, uma por uma. Sentiu-se violada, mãos estranhas a mexerem nas suas coisas (as únicas coisas que não vendera, as coisas de que não se queria separar), empacotadas de maneira a não se quebrarem. Fugiu para não se zangar, o marido que fosse controlar a inspecção.
*
Desconfiança e abuso. No momento de fazer o cálculo para o pagamento do imposto, o inspector seguiu as folhas dela e não o relatório dele. Esteve até à 1 da manhã com o inspector a fazer os cálculos, para poderem continuar viagem para Pucallpa. $1.000 de imposto! Estava a tornar-se caro viver na América do Sul! Um Peruano subserviente ajudou-os no meio do labirinto burocrático, a troco de $100, depois de ter pedido $200!!!
*
Mais 1 hora de viagem. Felizmente o camião do Ministerio de Agricultura estava à espera deles. Ao levantarem as caixas novamente lhe pedem para pagarem mais um imposto. Estão loucos? Recusaram-se a pagar mais impostos. Mas, no caminho Apolo perdeu S/10.
Os cães, finalmente livres das jaulas, corriam no jardim do Ministerio de Agricultura. – já era noite, tinham passado 3 dias em Lima!
Continuavam a ter maus indícios e, não se apercebiam.
*
A primeira noite dormiram no hotel que tinha água quente ou melhor, tentaram dormir, porque o barulho dos motocars, o tiroteio entre a policia e uns assaltantes, os mosquitos e a musica que vinha nem sabiam de onde enchiam o quarto. No dia seguinte foram buscar os cães que tinham ficado fechados num armazem do Ministerio e no mesmo camião que os tinha ido buscar ao aeroporto fizeram os 54 kilometros até á Ganadaria Estatal.
*
Ficariam em San Jorge, na casa de hóspedes, simpaticamente cedida pelo director da Ganadaria, até terem a sua própria casa construída. A Ganadaria Estatal de San Jorge pertencia a um projecto de estudo e desenvolvimento de gado leiteiro na selva. Vacas que em Lima poderiam produzir 40 litros de leite, na Selva não produziam mais de 5 litros, a maior parte delas morriam com o calor; aí faziam-se cruzamentos de raças, nacionais e estrangeiras, para aumentar a produção e longevidade dos animais leiteiros. Toda a produção leiteira era vendida diariamente na cidade, quer em forma de leite quer em queijo. A Ganadaria deveria ter mais de 5000 cabeças, espalhadas por diversos pastos e estabulos.
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A aldeia era constituída pelas casas dos trabalhadores (vaqueiros, ordenhadores) um hipotetico posto veterenario (onde o medico era um vaqueiro que tinha conhecimentos ganhos por experiência propria e o enfermeiro, um ordenhador ex-enfermeiro do Hospital de doenças exoticas da cidade), havia uma mercearia, um posto de venda directa de queijo, um escritorio e diversos armazens para as alfaias agricolas, além da enorme casa do gerador que fornecia energia á propria aldeia, das 18 ás 22 horas, além de um café onde se reunia toda a gente para conversar e ver o único canal televisivo que chegava áquela parte da estrada (numa televisão a preto e branco).
*
A casa era enorme mas raramente utilizada nos últimos anos. As caixas foram empilhadas na sala e, depois do quarto limpo, mudaram-nas para a parede ao lado da cama. A primeira visão matinal eram as caixas de esferovite seladas com o carimbo da alfandega de Lima.
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publicado por Infiel às 11:50
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2 comentários:
De Lua de Sol a 30 de Janeiro de 2008 às 19:38
Querida amiga...
Foi em 95 que a minha vida deu uma reviravolta, bem grande por sinal, e que me levou ao caminho que ainda hoje percorro... Mas a tua é de pasmar! cada vez mais te admiro. Grande mulher!

Beijocas muito grandes


De Infiel a 31 de Janeiro de 2008 às 13:08

Obrigado Sara


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