Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
VI - A Viagem 1.c

 

 

Cada vez se embrenha mais na serra se bem que a vegetação continuasse exotica as subidas eram mais pronunciadas e o clima era mais fresco. Passa da Selva para a Serra mas de repente o taxi pára.
*
Á frente havia um ribeiro, provocado pela derrocada de terras que tinha inundado e destruído a estrada Alguns trabalhadores municipais olhavam para o cimo onde corria a cascata e indicavam ao motorista que poderia passar um pouco mais á direita sobre umas pedras que não estavam demasiado afundadas. A agua era limpida mas tinha corrente. O taxista pede aos passageiros para sairem e tentarem passar o ribeiro a pé. Com a ajuda de um dos trabalhadores, Diana salta de pedra em pedra e retira a maquina de filmar do saco e prepara-se para filmar algo que imaginava seria unico na sua vida.
*
Liberto de seus passageiros o taxi enfrenta a agua mas a pedra não era tão estável como o outro pensava e... o taxi colectivo, fica preso na água, no meio da estrada. Já estava a perceber por que o outro não lhe tinha alugado o carro bonito!!! Com muita manobra e com a ajuda de quase todos os trabalhadores retiram o carro da agua. Este pára um pouco acima e abre as portas e o porta bagagem. De todo o lado corria agua. “Foste esperta em não te separares da tua mala! – comentou a passageira da frente. Era a unica bagagem seca.
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Huanuco era fresca, rodeada de cerros, pessoas diferentes, mais andinas, mais limpeza, um rio que corria para norte, ruas de traçado espanhol, setecentista, simples e simpaticas. As mulheres usavam chapeus de coco pretos, tinham saias coloridas e olhos negros. Estava no coração dos Andes! Visitou as ruínas, como turista, mas, nada de terrenos – eram muito pequenos e, tornavam-se caros. Conheceu gente e, fez amigos, jovens que ficavam maravilhados por conhecer alguém da Europa. Esperou pelas 9 da noite para poder regressar à cidade do amor e do calor, como era conhecida Pucallpa, no meio de cabras, porcos, batatas, cheiros. Instalou-se no lugar atribuído pelo controlador, depois de lhe retirar o numero de passaporte, nome, residência, ninguem entrava sem ser totalmente identificado e comprovado com documento.
*
De volta ao hotel ainda se ri, ao recordar a surpresa dos militares quando lhes mostrava o passaporte, quando lhes respondia que estava só e que, a câmara de video era dela, que fazia um filme para a família, que não era jornalista. Muitos nunca haviam visto uma máquina tão pequena.
De tantos em tantos kilometros havia controle militar, todos saiam e faziam duas filas, homens para um lado e mulheres para outro, controlavam os documentos de identificação, os números, a desconfiança. A primeira vez que teve de deixar o seu lugar para se pôr na fila, achou uma certa piada mas, quando se viu obrigada a repetir a situação, recusou deixar o autocarro, não se sentia disposta a se pôr numa fila ao sol para mostrar um passaporte que ninguem conhecia e explicar, mais uma vez porque estava só e que fazia ali. Os soldados já que entravam no autocarro para observar bagagem, também poderiam ver o seu passaporte! E resultou, os estrangeiros são um estatuto á parte, rapidamente se deu conta disso e, aproveitou-o da melhor maneira possivel, a seu favor. Era tudo o que se pensava de um País na América Latina e em estado de guerra.
 
A Directora do Ministerio de Agricultura, Olivia, não a deixava vaguear, dando ordens para que a acompanhasem a todo o lado. O motorista da Directora mostrou-lhe o que havia de melhor – as experiências com solos e adubos para poderem ter hortas, a experiência com minhocas, para tornarem os solos mais produtivos, as pisciculturas, o Parque Natural, com animais em vias de extinção, os pratos regionais, as danças locais. Explicou-lhe que, o Ministerio sómente poderia ajudar associações, cooperativas, não pessoas individuais – no interesse de desenvolver a região, ajudando os mais necessitados. Na cidade pouco se produzia, a maior parte das coisas vinham de Huanuco: galinhas, porcos, ovos, frutas (excepto mangas, ananazes, alguns tipos de bananas, cítricos e, pouco mais). O que a cidade produzia não era suficiente para a alimentar. Pucallpa dependia do exterior, ligada por uma estrada que estava alcatroada nos primeiros 60km e tinha iluminação pública até ao km 5.
*
Passeando pela cidade, lembra-se de pensar: “Se ele conseguir ser feliz aqui eu também vou ser! As roupas não são bonitas, mas alguma coisa hei-de arranjar, além do mais o terreno é bonito e, podemos ter a nossa própria horta e frutas. Estamos tranquilos, nem precisaremos de vir à cidade muitas vezes!”
 


publicado por Infiel às 23:48
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