Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
VI - A Viagem 1.a

 

 

VI
 
A VIAGEM
 
*
Espera de cinco horas no aeroporto de Madrid. Um avião enorme, com péssimo serviço. Longas horas a atravessar o Atlântico, o relógio de pulso indicava 10 da manhã mas, pela janela as estrelas continuavam a brilhar e a lua acompanhava o trajecto. Confuso os fusos horários. Santo Domingo, nascer do Sol, falar Espanhol. Poucas horas faltam. Já falta pouco.
Norte da América do Sul, Selva, montanhas, neves eternas, caminhos áridos, as ilhas, o Pacifico, Aterragem! 22 horas depois!
*
*
Ali não haviam mangas, nem autocarro para levar os passageiros ao edificio, havia que caminhar. Confusão de bagagem, esperar. E agora?
Ela já havia viajado antes, por toda a Europa, sózinha, com uma amiga, com ele, com turistas... O normal, apanhar um taxi para o hotel – era conhecido de certeza.
Quanto pagaria? No balcão de Informações turisticas, a menina indicou $20. Por mais que se recordasse da reportagem sobre os taxistas limenhos, por mais que pensasse que aquilo era América do Sul, com toda a má fama que tinha, não estava preparada para o “assalto” dos taxistas, da ajuda dos miúdos, das discussões sobre preços, dos cheiros.
*
No taxi não lhe deram autorização a filmar com a janela aberta porque lhe roubariam a camara, antes de se dar conta. Ela queria filmar tudo, para que ele pudesse saber como era.... O ruído, a velhice dos veículos, o fumo, a poluição, a pobreza!
*
Quando chegou ao quarto rompeu a barreira da lógica e sentiu terror, chorou como nunca, tremia de medo, desfez-se em mil bocados.
*
Quanto tempo? Bastante. Até que conseguiu encher a banheira de água quente e deixou-se acalmar. Agradeceu ao seu anjo lembrar-se de reservar um quarto num hotel de luxo. Porquê tanto terror?
Por tudo ou, talvez, uma adivinhação do seu futuro naquele País.
*
*
Fez tudo o que, no seu entender, deveria ter feito: avisou o Embaixador que tinha chegado e, para onde ia, informou-se no Ministério de Imigração sobre o que necessitava fazer para se tornar residente, comprou um livro sobre o País, deu uma volta pela cidade, confirmou o carro para o dia seguinte, informou-se sobre a situação politica – continuava em estado de alerta, mas já não havia guerra. Telefonou ao marido e preparou a viagem para Pucallpa – 840 km, deveria levar aí umas 10 a 12 horas, mesmo contando que muitas das horas fossem para subir os Andes. Partiria cedo. Já tinha comprado comida e água.
*
No dia seguinte ás 8 da manhã esperava que o rent-a-car abrisse, fins de Fevereiro de 1995. Em umas horas estaria na cidade!
O empregado é simpático, conversa agradávelmente enquanto preenche os formulários de aluguer. Conta-lhe que o carro já está à porta do hotel e que tem ar condicionado, é um modelo recente, 4 portas, enfim, seguro e confortável . Tudo normal e eficiente até ao momento em que pergunta onde iria ficar.
- “Pucallpa?! Não pode ser, não com este carro.”
*
Deixou de o escutar na altura em lhe disse que nunca chegaria a Pucallpa com aquele carro, que não havia estrada. Ela apontava a estrada que o mapa indicava mas, o recepcionista continuava dizendo que com aquele carro nunca iria chegar a Pucallpa. Sugeriu alugar um jeep. Havia disponibilidade e em uma hora poderia partir.
Mas, primeiro nem o acreditou, pensou que fosse conversa de vendedor depois, a diferença de custos era enorme, mesmo com o desconto de profissional de turismo, seria uma exorbitância. Lá concordou em ir de avião, não era caro e lá haveria possibilidade de alugar um carro. Havia um avião às 12.30h.
*
Já nada fazia na cidade, toma um taxi para o aeroporto e paga S/20 (3 vezes menos que na chegada).
Havia um atraso, ligeiro! Só que o ligeiro atraso se prolongou até às 8 horas da noite. Embarcou, sem pressa nem desejos, sómente cansada.
*
Todos os passageiros a bordo, portas fechadas. Mais um voo! E... os motores param!
O ar condicionado desliga-se, as luzes apagam-se, o cheiro a pó e a galinhas, a transpiração enche o ar.
*
Pela janela vê um tractor agrícola puxando o avião até à pista. Minutos vagarosos. Heis que o motor recomeça a girar, lá se mete à pista e se ergue no ar.
Não tem medo mas questiona a possibilidade de chegar ao seu destino. Já é escuro, há chuva, turbulência, pessoas rezam, o avião queixa-se mas, aterram 55 minutos depois.
*
Estava a chover torrencialmente, mas quando pôe os pés na porta é invadida por uma onda de calor inexplicável. Há soldados por todo o lado, desde do avião até a uma porta ao fundo, nas torres, na pista controlando os passageiros e o que sai do porão, com G-3 nos braços. A vegetação é exótica, o aeroporto é uma barraca, putos descalços descarregam a bagagem.
- “Estou na Selva!” – havia surpresa no seu pensamento.
*
*


publicado por Infiel às 13:50
link do post | comentar | favorito
|

10 comentários:
De Bichana a 29 de Janeiro de 2008 às 15:55
Estou a gostar tanto de te ler...ainda te conhecemos melhor assim! E cada vez te admiro mais.És fantástica
Bjnhos!


De Infiel a 29 de Janeiro de 2008 às 16:59

Prontos já os tirei hehe

Obrigado pela força, só sei se a leitura será interessante se houver comentarios

Fiz muita coisa que não me orgulho mas, já o fiz e de nada me vale recriminar-me

Jinhos


De Bichana a 29 de Janeiro de 2008 às 17:24
No que me toca, estou a gostar, e muito!
Todos nós já fizemos coisas que nos entristecem, das quais nos arrependemos, mas faz parte do nosso crescimento. Há que aprender e ir em frente!
Tu sabes quem és, e para onde vais, isso é muito importante.
P.S. Não deixarei de te admirar, pelas coisas menos boas que possas ter feito...Todos temos telhados de vidro.


De Infiel a 30 de Janeiro de 2008 às 00:34

Obrigado!!!
soube bem escutar tuas palavras


De sunshine a 29 de Janeiro de 2008 às 16:19
Olá Infiel- começo a achar que este nome não condiz contigo.
Leio-te e sinceramente penso que tipo de amor permite ser tão maltratada? que tipo de amor permite que uma pessoa se anule em função de outra, e pergunto-me se alguma vez senti amor? Porque nunca senti o que demonstras que sentiste por alguém. até hoje jamais faria por alguém um terço do que tu fizeste e aturas-te. Creio que não há amor que valha isso!
Sofres-te ...muito! Mas pensa que o que não te mata, torna-te mais forte!


De Infiel a 29 de Janeiro de 2008 às 17:04

O titulo do blog era para ser infidelidades mas, não foi aceite daí que tive de me assumir como a Infiel mas, sei que sou uma Infiel suigeneris hehe

Tens muita razão e a prova é que não morri mesmo

Foram muitos anos de convivência e eu esqueço com facilidade o que me magoa

Obrigado por seguires o relato

beijinhos


De Lua de Sol a 30 de Janeiro de 2008 às 14:10
Também estou a adorar... Uma grande história, daquelas que podiamos ver na tela... que não imaginamos prováveis em conhecidos... Mas sendo tua é de esperar... és especial, muito grande!

Bjs


De Infiel a 31 de Janeiro de 2008 às 13:17

Pois! Ha muita gente que diz "tou farto disto tudo, vou embora" mas eu fi-lo Fui mesmo embora!
a ideia era atractiva hehehe

Beijinhos


De Maaf a 14 de Fevereiro de 2008 às 15:01
continuo a amar...


De Infiel a 15 de Fevereiro de 2008 às 00:32

és o meu


Comentar post

.ultimos capitulos

. Atraiçoada

. ...

. Atraiçoada - entrevista

. Atraiçoada eleita!

.primeiros capitulos

. Dezembro 2011

. Dezembro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Maio 2009

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

.mais comentados
25 comentários
16 comentários
14 comentários
.outras vidas

. FLORES???? NÃO Á VIOLÊNCI...

. Software para o Coração.....

. Atraiçoada

. Infiel

. Desistir/Recomeçar

. Palavras

. Venha dai, está convidado...

. Sexualidade feminina do s...

. Gratidão....

. Porque hoje é domingo - v...

.quantos acompanham
.Atraiçoada - aqui:
Support independent publishing: Buy this book on Lulu.></a>
<div class=
Rosa de S

Cria o teu cartão de visita
.pesquisar
 

Subscribe to Infiel

.subscrever feeds

RSSPosts

RSSComentários

RSSComentários do post