Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
V - Ideia de Genio 1.a

 

 

V
 
IDEIA DE GÉNIO
 
 
Lembra-se e, tem imagens contraditórias. As noites na Selva começam cedo. Ali não tem TV com dois satélites, nem radio para saber notícias. Estava sózinha e ele nem estava no Hospital, nem a tirar peixe na doca. Desprezava-a e tinha-a trocado por outra.
*
Esmagou o cigarro no cinzeiro e, acendeu outro. Estendeu-se na cama enorme, pela janela podia ver as estrelas mas, não eram o suficiente para a relaxar e deixou-se levar pelas imagens e recordações. Como tudo tinha começado. Porque tinha ido para a Selva.
*
Haviam razões lógicas, racionais, para se meterem nessa aventura, foram ponderadas, estudadas, mas nada levava a crer que o objectivo fosse a separação definitiva. A traição. E só essa palavra é suja. O eclodir de todas as frustrações, desejos e necessidades.
*
*
As contradições, as peças do puzzle, os actos e o desenvolvimento e a solidão.
*
Ela estava na Guarda, com o seu amigo Max, um Suiço que queria ter a sua firma de desenvolvimento de software em Portugal. Viam escritórios e faziam entrevistas a futuras empregadas. Como todas as noites, falavam ao telefone.
*
-“Sabes, amor, vamos comprar um terreno na América do Sul. Podemos estar mais tempo juntos, trabalhamos para nós, temos espaço para os cães. Lá a vida é mais barata.”
-“Estás louco? Onde foste buscar essa ideia?” – mesmo acostumada a ideias fora do comum esta tinha-a apanhado desprevenida..
- “Estive a pensar, estou farto desta vida, não vamos a lado nenhum aqui. Aqui nada se consegue. Podemos ter uma quinta para nós. Agricultura de sobrevivência. A Europa vai entrar em guerra, a pesca em crise, isto vai tudo ao ar e a gente safa-se para um sítio seguro. Não temos de pagar renda, nem água, nem luz. Trabalhamos para nós. Que achas?”
- “Meu géniozinho de trazer por casa, a gente fala melhor quando eu chegar. Tenho saudades tuas. Aqui está um frio de morrer. Um nevoeiro cerrado.”
- “ O Max?”
- “Amanhã vamos para Aveiro falar com uns professores da Universidade. Pode ser que estejam interessados em participar no programa. Já terminaram as entrevistas, agora temos de escolher uma pessoa.”
- “Que pensas? Vai dar resultado?”- nem havia escutado a resposta á sua pergunta.
- “Não me agrada, mas vamos ver! Convence-me!”
**
*
Uma quinta? A casa, que tinham começado a construir no terreno da avó, tinha ficado no primeiro piso. A avó tinha falecido e, os herdeiros não davam autorização a continuar a construção. Uma história de fantasia evaporada. Tinham tentado comprar um terreno noutro sitio, mas, por uma razão ou por outra, não concretizavam a compra.
Era verdade, ali não iriam a lado nenhum. Ele não passaria de Pescador, com uma vida de escravo e com os problemas que a Pesca estava a passar, ela, por melhor profissional que fosse, sempre faria o mesmo e, por vezes, o ânimo faltava, eram sempre as mesmas perguntas, já adivinhava os problemas só de olhar um cliente. Já sabia que circuitos iriam comprar ou não. Havia a Gina para a substituir, pouco a pouco ia fazendo-a entrar no esquema de trabalho.
Ter uma quinta por mais bucólica que fosse a ideia, daria trabalho, mas, sim, estariam a trabalhar para eles. Não havia a necessidade de consumismo. Estariam mais tempo juntos e, ele, poderia fazer algo que realmente gostasse, iria sentir-se feliz e, ele estando feliz ela estaria ainda mais!
*
*
- “Que Continente? Que País?”
- “América do Sul, Bolívia. Segundo a Enciclopédia Geográfica é o País mais pobre e, aí o nosso pouco dinheiro parecerá muito.”
- “Como vamos fazer?”
- “Não sei!”
- “Devemos, talvez contactar a Embaixada aqui, ler artigos, saber preços, sei lá! Temos de saber o que fazer para se poder comprar um terreno como estrangeiros”
*
Mas não havia Embaixada Boliviana em Portugal. Todos os documentos teriam de ser tratados via Paris.
- “Temos de encontrar outro País”
- “Aqui, o Peru, é o mais pobre a seguir à Bolívia e, há Embaixada em Lisboa.”
*
*


publicado por Infiel às 16:31
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4 comentários:
De Estupefacta a 31 de Janeiro de 2008 às 20:43
Hoje fico-me por aqui. Mais do que nunca compreendo a tua luz.


De Infiel a 1 de Fevereiro de 2008 às 22:58


Obrigado!!


De Maaf a 14 de Fevereiro de 2008 às 14:54
Até me doem os olhos:... Não queres publicar o livro! Escrevees mesmo muito bem!


De Infiel a 15 de Fevereiro de 2008 às 00:30
Obrigado!

eu até quero publicar mas para isso preciso que uma editora se interesse pelo livro :)


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