Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
II - Passado 1.b
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Comprou um apartamento, em nome dela, era a sua casa! E ele quis partilha-lo.Na primeira noite dormiram no chão e, na primeira noite ele queria ir beber a bica... sem ela! Ela era dele a 100%. Estava ali. Já não podia escapar!
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Ter uma casa implica despesas que, para ele era dificil entender, ele não ia às compras! Diana deixa o emprego na Agência de Viagens da terra e recomeça a trabalhar como guia-intérprete – mais dinheiro e menos tempo em casa! No Inverno recomeça a dar aulas, é formadora de Inglês numa Escola Profissional. Está ocupada e a conta bancária começa a engordar, mas nunca era o suficiente. Quando ele lhe pedia contas ela estremecia. O saldo nunca o satisfazia, sempre queria mais.
 
- Os meses passam. Ele muda de emprego conforme lhe convém (bons tempos!), quando não se sentia bem, despedia-se. Descansa entre empregos mas não quer continuar a estudar. Tem uma ulcera no duodeno e não deve fazer esforços físicos – até as posições sexuais mudam para um menor esforço dele.
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Começam as discussões, sem grandes variantes no tema:  ele não tem de ajudar na casa, nunca há dinheiro suficiente no Banco, ela gasta demasiado...
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Ela pede-lhe para sair. O que ele quer é uma mãe. Que volte a casa dos pais, que fique lá um tempo, que pense bem como quer viver. Já não deixava bilhetes na mesa do pequeno-almoço a desejar-lhe um Bom Dia, já não lhe tocava, já não passeavam de mãos dadas. “Agora que somos casados já não precisamos de namorar” – dizia ele.
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Quantos homens dizem isso?
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E continuou em casa, não saía. Mesmo quando lhe pôs a mala á porta ele rebentou com a fechadura e jurou que um dia lhe haveria de tirar a casa.
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Ela sabia que não deveria ser assim, mas ela não podia sair. Detestava o quarto na casa dos pais, detestava a ideia de tornar a dormir ali. Ela tinha querido aquela casa, tinha poupado dinheiro para o sinal, ela tinha assinado o contracto de compra e venda, ela tinha pedido o empréstimo, com todas as burocracias, idas ao Banco, sorrisos, paciências... ela e, sózinha! Ele limitava-se a olhar para a tabela dos juros e dizer que ia pagar 5 apartamentos ao Banco, que era muito dinheiro, que queria ir viver em casa dos pais. Mas gostava daquela casa, gostava de convidar quem podia para lá irem dormir, principalmente quando ela estava em viagem.
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As discussões continuavam e se ele não saía, saía ela.
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Metia-se no carro e ia acelarar na estrada até a frustração ficar sublimada.
Uma vez foi até Lagos e acabou por dormir no carro. Despertou numa manhã de Domingo junto à praia. Voltou a casa e, tudo se tinha esquecido! Mas houve repetições e outras viagens, um dia ou mesmo dois, perdida por lugares mais ou menos conhecidos. As saídas de casa com as lágrimas nos olhos e acelarar na recta de 2 km até que aparecia a curva que a fazia pensar que não queria ter um acidente; os passeios na praia, sentindo-se infeliz, sózinha ou com os cães...
Relaxava, não pensava e, regressava.
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Os encontros na estrada quando ela regressava do trabalho e ele, ia para a praia. Os desencontros! “É o meu dia de folga e tu queres sair comigo?” “Queres que eu fique à tua espera?” E ela sabendo o significado das perguntas, mesmo completada com “não te preocupes”, sentia-se infeliz e sem saber como terminar a relação.
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Ele recusava sair, ela recusava-se a voltar á casa dos pais.*
Enquanto tinha o quarto pintado de vermelho com duas listas negras na parede, luzes psicadélicas no tecto, aparelhagem de som... ainda conseguia  sentir-se bem, era o seu quarto; mas, com esse quarto pintado de branco amarelado, uma cama de ferro, um sofá velho... nada tinha a ver com ela. Aquela casa sempre a fazia sentir-se mal. E, no dia seguinte, já tinha esquecido por que queria que ele saísse.
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Assim passavam os anos.
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Ao quinto ano, já com uma casa mobilada de tudo quanto se podia comprar: máquinas para lavar loiça, lavar roupa, para secar roupa, frigorifico, arca congeladora, forno eléctrico, mesa de mármore, centenas de discos e livros, chão de tijoleira, sofás, quadros, uma aparelhagem de discoteca...Nada faltava: 2 carros, uma mota, um barco. Enfim, uma casa de quem ganhava dinheiro e gostava de conforto. Um bar com todo o tipo de bebidas – ali, na Selva, nem uma cerveja tinha em casa, quanto mais vinho tinto ou verde!
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E, ela ganhava demasiado e pagava demasiados impostos, porque não legalizar a situação? Os casados pagavam menos imposto!
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publicado por Infiel às 15:03
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