Domingo, 27 de Janeiro de 2008
I - Presente 1.a

 

 

I

PRESENTE

 

 

“How did I get here?” – pergunta Diana a si própria, lembrando-se de uma canção e brincando com as pontas dos cabelos longos (que gostava de usar curtos, mas que os tinha deixado crescer longe das mãos de cabeleireiros, naqueles últimos, quantos anos? 4 ???!!!), Os seus olhos castanhos expressivos, estavam sem brilho, pesava pouco mais de 40 kilos, devido ao cansaço psicologico e a inumeras intoxicações alimentares – tinha tudo e nada tinha. Tudo construído sobre mentiras, enganos, palavras ocas!
 
 
Nesse momento estava numa casa de madeira, uma casa de 8 lados – tal como tinha desenhado no outro lado do mundo, quando ainda tinha uma vida civilizada moralmente. Um gerador dava energia, gritando no meio do pasto, um poço tubular dava-lhe água que, raro na zona, era potável. As janelas com grades de ferro e rede mosquiteira completavam a “prisão” – uma prisão de ouro, construída também com mentiras e roubos. “Vai, Diana, vai cambiar dolares para se pagar a madeira, eu fico a beber uma coca-cola”. Um montão de notas, guarda o dinheiro, pega um motocar e chega com o serviço feito e, com um cambio superior ao oficial. Tudo normal. Ela é assim mesmo, tudo consegue, sem problemas.
 
- No apartamento estava sózinha a maior parte do tempo, ele, o pobre, tinha de trabalhar das 6 às 20.00, sem feriados ou Domingos. “Estou farto, temos de mudar, não aguento mais...” “Doi-me aqui, doi-me ali, tenho dores de estômago, tenho os dedos inchados, guia tu, onde queres ir?, aí não...”
*
 
Menino mimado, não se pode mimar um homem, não se pode desculpar seus actos...
Quando uma criança faz traquinices o adulto castiga – quando um adulto faz traquinices deve saber castigar-se ou receber sanções de outros adultos, e muito grave e muita falta de consciência é necessário para que o adulto necessite de levar sanções.
Vai-se desculpando, entendendo e, no fim o adulto não cresce, não se pune, não se arrepende, continua a fazer o que lhe apetece, sem se preocupar se é errado ou não, se magoa ou não, ninguém o castigou! Como se vai ele castigar a si próprio?
 
- Diana está deprimida, acreditou em tudo, desculpou tudo e ele volta a fazer o mesmo! Está sózinha mais uma vez! Tem de o castigar e o pior é que, ao castiga-lo ela também é castigada e sofrerá mais que ele. Mas tem de se resolver, tinha decidido ficar, continuar com um casamento de 11 anos, de uma relação de 21, mas não suporta ficar. Não merece a humilhação, o desprezo, os risos, é demasiado – ela já fez tanto, terá de fazer mais uma vez uma coisa diferente, mas, agora, para ELA.
*
 
Por que tinha querido arriscar tudo?
No fundo sabe a resposta e, também sabe que há actos irreversíveis e, que influenciam de tal maneira que não é mais possível recuar no caminho traçado.
 
Porquê? Por que o fez? Porque continuou a fazê-lo? Porque continua a fazer?
*
 
A resposta é demasiado brutal e dura. Muito dura! Ter de admitir que nunca deveria ter arriscado, admitir que errou... O que ela queria nunca haveria de ter, fazendo o que fizesse... É uma romântica, em busca de um amor louco, do seu cavaleiro de armadura brilhante, foi aprisionada e nunca lhe conseguiu resistir. Mal amada! Quantas mal-amadas existem neste mundo? Quantas mulheres dão e continuam a dar sem nada receberem e sempre esperando pelo amanhã, amanhã ele vai-me olhar com carinho, amanhã ele vai-me tocar com amor. Queen for a day! Um dia!
*
 
Olha, amor, eu fiz isto para ti, gostas? Amor, hoje utilizei outros condimentos, gostas? Gostas? Gostas? E ele? Que fazia ele por ou para ela? Doi-me as mãos, estou cansado, tenho sono, anda para a cama comigo, acorda-me às 5.30, traz-me o pequeno-almoço, não gosto deste pão, este bife está duro... Amor, e se comprássemos uma quinta na América do Sul? Lá a vida é mais barata, vamos estar mais tempo juntos, vemos as vaquinhas a pastarem, os cães têm espaço para correr. Eu amo-te demasiado para te trocar!
*
Onde estava esse amor? Onde está esse amor?
*
 
Dinheiro! Já não importa, as vaquinhas já produzem o suficiente para as cervejas e companhia, os bezerros crescem e vendem-se com facilidade, o contracto está à porta, o leite vende-se com segurança. Já não necessita de fingir – mal fingido até! – toca a mostrar, novamente, desprezo. Não foi ele que disse que preferia morrer de fome a viver com ela?! Que ela era mais homem que mulher! Que grande mulher, que orgulho tinha! Até que deixou de o interessar. Encontrou outra – triângulo amoroso – base de livros, de filmes, de vidas, que sempre acontece aos outros, mas não a nós, até que chega o dia! Troca-se, sem importar nada, finge-se, sabendo que não é acreditado, pouco importa, um novo amor compensa tudo, entrega-se sem amanhãs. Que bonito! Sim, lindo!, se não fosse uma outra mas sim consigo mesma! Lembra-se dos ciúmes terríveis, da dôr provocada quando o sentia com a outra, da estupefacção quando o via com a outra – já passou, já nada importa!
*
*
 
 
 
 
 
 


publicado por Infiel às 04:32
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10 comentários:
De sunshine a 27 de Janeiro de 2008 às 12:55
Sinto-me arrepiada! Por um lado porque nunca senti esse amor louco - a minha vida é boa, certinha, o meu marido sempre me idolatrou, a nossa relação sempre foi boa, com altos e baixos, mas muito boa. Estamos juntos à 15 anos. Mas nunca fiz loucuras por amor. Sinceramente gostaria de sentir esse sentimento por ele, mas nunca o senti.
Quando agora se passou o que sabes, senti o meu mundo seguro ruir, mas sei que se resolveu a tempo, e que não tinha consequências, contudo a traoção é abominavel. Jamais conseguiria compactuar com essa situação - é demasiado sofredora. Destrói-nos.
Eu, se um dia me separar, acredito que me vai custar muito, mas sobrevivo, sou de seguir em frente, que melhores dias virão.
Por vezes, as relações estão condenadas desde o principio, e somos nós que não queremos ver, porque achamos que se investirmos, acabamos por conseguir! Pura ilusão, é o arrastar de uma situação que só trará desilusão e sofrimento. Até que um dia se pensa - chega, a partir de agora sou eu! Decisões tão dificeis... e o que vai ser d e nós, só nós o sabemos.
Importa sim, por que se olha para trás e pensa-se nos anos perdidos, na unilateralidade. Mas ainda bem que são memórias já naõ dolorosas - significa que resolveste o passado e estás livre para o presente e futuro.
Beijinhos


De sunshine a 27 de Janeiro de 2008 às 16:35
Ainda comentando Infiel, descobri que ser infiel é muito mais fácil do que suponha. O meu primeiro blog foi sobre essa descoberta e as suas consequências. Que nunca o fui fisicamente, mas senti coisas inexplicáveis e não permitidas, que me transformaram no mais intimo de mim. Não fiz loucuras por amor, porque sou de tal forma racional, que não mo permiti. Sei que fiz o correcto, mas já me questionei , quando agora vivi a situação inversa, se valeu a pena ter sido politicamente tão correcta. Foi a única vez na minha vida que senti estar à beira do abismo, da decisão, de transgredir, de fazer loucuras por amor, que o tive, e talvez nunca mais venha a sentir essa urgência e vontade na minha vida.
Questiono-me tanto e as respostas que encontro dentro de mim, vão contra aquilo em que sempre acreditei.
Adoro conversar contigo. Acredito que serás das poucas pessoas que talvez consiga sentir-se na minha pele por breves momentos.


De Infiel a 27 de Janeiro de 2008 às 18:14

Obrigado!!!

ser infiel é mesmo muito facil quando não ha sentimentos ou quando não os valorizamos
tal como é facil viver de aparências, sem pensar

acho que todos devemos duvidar do que escutamos porque sentir é muito mais importante e nem toda a gente se dá ao "luxo" de sentir verdadeiramente





De Infiel a 27 de Janeiro de 2008 às 18:04
toda a situação a que me sujeitei foi porque não estava no meu País muito mais do que por amor a ele, pelo menos em determinada altura

se continuares a seguir a historia eu conto o principio e os ciclos por que passei até ter chegado á conclusão obvia

Uma das razões para decidir edita-lo foi para ter a certeza de que nada mais doi, porque nunca mais peguei no livro, aqui vou ser obrigada a relê-lo e a transcrevê-lo, a recordar


De Lua de Sol a 28 de Janeiro de 2008 às 12:30
Gosto deste início... prende-nos. Nota-se que tem história, que aí vem história...
Sei que vem a tua história. A história de uma mulher pouco convencional (para melhor, claro), cheia de força, de garra, que arrisca, que vive... Mesmo que depois o sabor que fica na boca seja diferente do que sonhou. Eu sou daquelas que acha que o que não mata engorda, que mesmo no erro há algo positivo e que mais vale arriscar e arrependermo-nos do que arrependermo-nos por não o fazer... O que não mata torna-nos mais fortes. E tu és um bom exemplo. Admiro-te!
Um grande beijinho


De Infiel a 28 de Janeiro de 2008 às 23:35

Fiz coisas de que não me orgulho, coisas muito parvas mas, tens razão o que não nos mata, torna-nos mais fortes e eu sempre gostei de arriscar, preferivel ter perdido de que nunca ter feito
eu sou a mulher que viveu na Selva hehe e teve coisas muito más mas também muito boas e que me quero recordar toda a minha vida


De Maaf a 4 de Fevereiro de 2008 às 11:56
Comecei hoje a ler... Até agora estou a adorar!!


De Infiel a 6 de Fevereiro de 2008 às 00:21


Obrigado

para ti


De Rui Dias a 22 de Abril de 2008 às 21:39
...estou apaixonado.


De Infiel a 23 de Abril de 2008 às 21:59


uhmmm é bom estar apaixonado dá outra cor á vida mas, neste caso... espero que seja pela escrita hehe

Obrigado :)



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